Carmen Amaya: a bailaora que quebrou todas as regras
Há bailaoras e há terramotos. Carmen Amaya era das segundas. Dançou com uma força que ninguém esperava de uma mulher da sua época, calçou calças quando isso não se fazia e sapateou como se quisesse partir o chão. Mudou para sempre o que se entendia por dança flamenca feminina.
Vamos ver quem foi, de onde saiu e porque, mais de sessenta anos depois da sua morte, continua a ser a referência.
Quem foi Carmen Amaya
Carmen Amaya foi uma bailaora cigana, provavelmente a mais influente da história do flamenco. Nasceu em Barcelona no início do século XX, numa família paupérrima, e dali partiu para conquistar os teatros de meio mundo.
O dela não era a elegância serena que se esperava das mulheres na dança. Era outra coisa: velocidade, raiva, potência. Um sapateado endiabrado que até então se considerava território de homens. Vê-la dançar era ver alguém a saltar as regras ao vivo.
As suas origens no Somorrostro de Barcelona
Carmen cresceu no Somorrostro, o bairro de barracas que havia junto à praia de Barcelona. Pobreza a sério. O pai, guitarrista, levava-a em criança a dançar pelos bares e tabernas para trazer algo para casa.
Aquela menina que dançava por umas moedas tinha um duende que não se pode ensinar. Cedo começou a atuar, a fazer nome, e o que era sobrevivência tornou-se carreira. Da rua ao palco, sem escalas.
O estilo de Carmen Amaya: força e sapateado
Se há algo pelo qual é recordada, é como movia os pés. O seu sapateado era rapidíssimo, seco, quase impossível de seguir com a vista. Dançava com uma energia que deixava o público sem fôlego.
E havia a questão das calças. Carmen subia ao palco vestida de homem, de calças e casaco curto, e dançava com um ar que quebrava todos os moldes do que uma bailaora “devia” fazer. Não era uma provocação calculada: era, simplesmente, como ela sentia a dança. Mas abriu uma porta por onde muitas passaram depois.
Do Somorrostro a Hollywood: cinema e digressões
A fama de Carmen atravessou fronteiras. Percorreu a Europa e a América, atuou para presidentes e estrelas, e chegou mesmo ao cinema. Participou em vários filmes —o mais recordado, Los Tarantos— que hoje são um tesouro para ver dançar alguém que já não está.
Numa época em que sair do bairro já era uma proeza, ela enchia teatros em Nova Iorque e Buenos Aires. Tornou-se uma embaixadora do flamenco pelo mundo muito antes de isso ser habitual.

Carmen Amaya, a bailaora que revolucionou a dança flamenca.
Os seus últimos anos e a sua morte
Carmen dançou praticamente até ao fim. Morreu jovem, nos anos sessenta, ainda em atividade, deixando um vazio que ninguém voltou a preencher da mesma forma. O seu funeral foi multitudinário: meia Espanha sentiu que partia algo irrepetível.
O legado de Carmen Amaya
Hoje, qualquer bailaora que sapateia com força, que se atreve, que rompe com o esperado, está a beber de Carmen Amaya, saiba-o ou não. Abriu caminho para uma dança feminina mais livre e mais poderosa.
A sua memória continua viva nos tablaos, que é onde melhor se entende o que ela representava: o flamenco a sério, o da força e da emoção a dois passos. No Tablao Flamenco 1911 essa dança pulsa todas as noites. Se quiseres senti-la de perto, vem ao nosso show de flamenco em Madrid e descobre-a ao vivo.
Perguntas frequentes
Porque é Carmen Amaya tão importante? Porque revolucionou a dança flamenca feminina: introduziu um sapateado potente e veloz até então associado aos homens, dançou de calças e levou o flamenco a palcos de todo o mundo.
De onde era Carmen Amaya? Nasceu em Barcelona, no bairro do Somorrostro, no seio de uma família cigana muito humilde.
Em que filmes participou? Participou em vários filmes ao longo da carreira; o mais conhecido é Los Tarantos.
Carmen Amaya teve filhos? Não, Carmen Amaya não teve filhos: nunca pôde conceber. Ainda assim, adorava crianças e era muito próxima dos sobrinhos.